A globalização intensificou as relações de interdependência à escala global. Nas sociedades contemporaneas a rede é a palavra chave. Queiramos ou não todos estamos conectados.
O capital financeiro circula à velocidade do som ao click do botão direito do rato. O capital económico abandona zonas do globo onde sente que os custos de produção não geram as mais valias que as grandes multinacionais acham aceitavel do ponto de vista da lógica do lucro.
Atentados terroristas em determinadas zonas do mundo são possíveis de ser visualizados em toda a "aldeia global" no exacto momento em que ocorrem até pelo habitante da aldeia mais remota do Casaquistão.
A guerra do Iraque pode ser assistida em directo e on-line e os próprios militares vão acompanhando os desenvolvimentos da mesma pela televisão sabendo através desta primeiro que das suas chefias as consequências das suas acções no terreno.
As relações sociais, amorosas e conjugais atravessam todas as fronteiras do globo terrestre através das novas tecnologias da informação e da comunicação.
Os governos caiem ao sabor de mensagens de sms e das capacidades fantásticas da comunicação via satélite, quem não se recorda da recente queda de José Maria Aznar aqui na vizinha Espanha e paradoxo dos paradoxos numa era em que as desigualdades sociais se agravam quase à mesma velocidade com que o crescimento da riqueza dos mais poderosos atinge valores históricos inigualáveis eis que os povos que querem partir dos seus territórios abandonando as suas raízes à procura de melhores condições de vida atraidos pela ilusão do modo de vida "Ocidental" são impedidos de o fazer.
O muro de mil e cem kilómetros que o senado norte-americano aprovou quase na sua totalidade!!! para impedir os emigrantes mexicanos de entrarem nos EUA são um retrocesso histórico absolutamente inacredítável na história, cultura e nos valores ditos ocidentais.
A democracia tem destas coisas. Sendo um outorgação legal ela é incrivelmente imoral. A rejeição do "outro" como forma de assegurarmos o nosso bem estar e segurança social infelizmente está aí para legitimar as novas atrocidades sociais.
Primeiro começamos por rejeitar a cultura do outro e um dia descobriremos que à sempre algum "outro" para nos rejeitar a nós.
A minha Lista de blogues
quarta-feira, outubro 04, 2006
O Muro da vergonha do Ocidente
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
sábado, setembro 23, 2006
O papa e o Islão
Todas as religiões são exclusivistas, fechadas sobre si mesmas e recusam os dogmas que não entram nos seus dogmas de fé.
Ser cristão implica não professar a religião muçulmana, ser muculmano significa não aderir às crenças religiosas dos judeus e ser budista implica que não se seguem os principios do protestantismo calvinista.
Estes mundos sociais exclusivistas não implicam que a visão do "outro" como "ele" não permita a convivência pacífica.
A tese absurda sobre a "guerra de civilizações" entre o "Ocidente" e o "Oriente" à força de tanta enunciação discursiva na palavra de muitos pseudo intelectuais do mundo dito Ocidental ainda se torna numa profecia auto-realizadora. Tanto se deseja que aconteça que ela corre o risco de se tornar real.
O Papa Bento XVI esqueceu-se de vestir o papel social de Papa e por momentos interpretou o seu papel na pele de cardeal Ratzinger.
É que se as interpretações intelectualistas do Islão são permitidas ao cardeal Ratzinger, ao papa Bento XVI trata-se de brincar com o fogo quando numa passagem claramente infeliz se rotula a religião islamica de culto do belicismo e da Jihad.
Estudos históricos sobre o mundo islâmico revelam um percurso histórico de elevada tolerãncia religiosa e de elevada convivencia pacífica nas mais variadas partes do mundo entre o Islão e outras comunidades religiosas.
Sabendo que como papa as suas palavras são armas de fogo, ou de paz, que podem salvar, ou destruir milhares de vidas, Bento XVI teria que ter mais cuidado nas suas reflexões e intrusões na cultura do "outro"...sob pena de no actual contexto deitar gasolina num barril de pólvora.
Como alguém em tempos diria...não havia nexessidade.
Abraços a todo o pessoal.
Ser cristão implica não professar a religião muçulmana, ser muculmano significa não aderir às crenças religiosas dos judeus e ser budista implica que não se seguem os principios do protestantismo calvinista.
Estes mundos sociais exclusivistas não implicam que a visão do "outro" como "ele" não permita a convivência pacífica.
A tese absurda sobre a "guerra de civilizações" entre o "Ocidente" e o "Oriente" à força de tanta enunciação discursiva na palavra de muitos pseudo intelectuais do mundo dito Ocidental ainda se torna numa profecia auto-realizadora. Tanto se deseja que aconteça que ela corre o risco de se tornar real.
O Papa Bento XVI esqueceu-se de vestir o papel social de Papa e por momentos interpretou o seu papel na pele de cardeal Ratzinger.
É que se as interpretações intelectualistas do Islão são permitidas ao cardeal Ratzinger, ao papa Bento XVI trata-se de brincar com o fogo quando numa passagem claramente infeliz se rotula a religião islamica de culto do belicismo e da Jihad.
Estudos históricos sobre o mundo islâmico revelam um percurso histórico de elevada tolerãncia religiosa e de elevada convivencia pacífica nas mais variadas partes do mundo entre o Islão e outras comunidades religiosas.
Sabendo que como papa as suas palavras são armas de fogo, ou de paz, que podem salvar, ou destruir milhares de vidas, Bento XVI teria que ter mais cuidado nas suas reflexões e intrusões na cultura do "outro"...sob pena de no actual contexto deitar gasolina num barril de pólvora.
Como alguém em tempos diria...não havia nexessidade.
Abraços a todo o pessoal.
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
domingo, setembro 03, 2006
O novo espírito do capitalismo
O capitalismo como sistema económico, político e social é um sistema que se baseia desde sempre na exploração do homem pelo homem.
Karl Marx, o teórico por excelência da análise do sistema capitalista pôs a nu o confronto entre o capital e o trabalho e a fabricação de mais valias a partir da exploração do proletariado como a essência que produzia a dominação dos capitalistas.
Em jeito de profecia Marx protagonizava o fim da história com a revolução do proletariado e a abolição da sociedade de classes.
Marx falhou redondamente a sua análise onde a sua interpretação científica (brilhante para a época) cedeu lugar às suas pretenssões ideológicas.
Mas se Marx passou de moda, sendo olhado de "lado" mesmo no interior das Universidades (pelo menos daquelas mais comprometidas e dependentes do poder do capital) o sistema teórico de Marx continua fundamental para percebermos os sistemas sociais em que vivemos e sobretudo o capitalismo tal como ele hoje se manifesta.
Afinal ainda nos dias de hoje constatamos que as classes sociais são como as bruxas "não sei se elas existem mas que as há...há".
Afinal, as desigualdades crescem como nunca nas últimas décadas.
Afinal, a concentração de riqueza do capital atinge valores nunca atingidos na nossa história.
Afinal ,a pauperização da sociedade constatada por Marx traduz-se hoje na pobreza crescente e na "naturalização" da exclusão social.
Afinal o que mudou é que o sistema capitalista numa nova busca de legitimação procura novas legitimidades para que os seus efeitos negativos apareçam como a "ordem natural das coisas".
É assim que nasce uma nova concepção de indivíduo ajustável aos interesses do capital.
Hoje temos que ser obviamente "competentes" - sendo a competência definida como a capacidade "individual" que cada um deve ter ou adquirir por conta própria, à revelia do papel da produção social da sua competência. Desresponsabiliza-se os sistemas socias que produzem desigualdades e legitima-se o valor dos mais "competentes" que por norma são os mais previligiados.
Os desempregados deixam de ser "despedidos" e passam a ser "dispensados" - se no despedimento a culpa é por norma atribuída ao empregador, na "dispensa" a culpa é do trabalhador pois não se "actualizou" como seria de esperar, logo não tem valor como valor de troca no mercado do capital.
Os "trabalhadores" passaram a ser "colaboradores" - A visão dicotómica do conflito de interesses entre capital e trabalho passou para uma visão harmónica do trabalho e do funcionamento das empresas. Ser "colaborador" implica que os interesses são "comuns" e o que é bom para a classe empresarial é óptimo e serve na perfeição o interesse das categorias profissionais intermédias ou da base das organizações. Óptimo sistema ideológico como estratégia de esgotamento dos conflitos e dos interesses conflituais.
O mundo do trabalho e das empresas é o mundo da harmonia social!
Os indíviduos devem ser "flexíveis" - Se o capital é global e circula à escala do planeta à velocidade do som, não vêem os ideologos do sistema como não podem ser os indíviduos flexibilizados e melhor ainda "deslocalizados".
Os indivíduos devem ser também "empreendedores" - Numa época em que o capitalismo entra em crise de legitimidade, em que é possível crescer a economia e simultaneamente crescer o desemprego e o fecho de empresas, é provável que com indivíduos "empreendedores" a culpa dos disfuncionamentos do sistema seja da falta de empreendedorismo, pois o que não pode ser posto em causa é a ideologia neoliberal predadora que substitui políticas de pleno emprego por políticas de pleno interesse do capital.
O capitalismo "naturaliza" também o desemprego como uma "fatalidade" social - O que não falta por aí no nosso sistema mediático são afirmações do género: "São as empresas que criam emprego, isso de criar emprego não é coisa de políticos nem de políticas sociais".
A ignorância neoliberal tem a crença interesseira de que o económico é uma esfera da vida social desligada do político e do social. A divina crença do mercado livre, a funcionar no interesse de todos, adia qualquer tipo de intervenção do Estado pois mais tarde ou mais cedo "os mercados" vão responder...há que esperar... um ano, dois anos, cinco anos, dez anos, trinta anos, cinquenta anos...um dia o interesse pessoal transformar-se-á no interesse geral.
É a profecia de Marx ao contrário!
Mas o sistema capitalista na sua recente modalidade de funcionamento também "corrói o caracter" dos indíviduos. Richard Sennett, sociólogo Norte-Americano, demonstrou na sua obra "A corrosão do carácter" como o novo capitalismo destrói a possibilidade de uma vida pessoal e familiar harmónica, fazendo com que os indivíduos andem uma vida inteira "precarizados", "flexibilizados", à procura de uma carreira que demora em ser estável, pois é a turbulência identitária o que define a personalidade de cada um. O futuro, algures, um dia depois da morte, tratá alguma estabilidade e segurança ontológica.
Boa semana para o pessoal da blogosfera.
João Martins
Karl Marx, o teórico por excelência da análise do sistema capitalista pôs a nu o confronto entre o capital e o trabalho e a fabricação de mais valias a partir da exploração do proletariado como a essência que produzia a dominação dos capitalistas.
Em jeito de profecia Marx protagonizava o fim da história com a revolução do proletariado e a abolição da sociedade de classes.
Marx falhou redondamente a sua análise onde a sua interpretação científica (brilhante para a época) cedeu lugar às suas pretenssões ideológicas.
Mas se Marx passou de moda, sendo olhado de "lado" mesmo no interior das Universidades (pelo menos daquelas mais comprometidas e dependentes do poder do capital) o sistema teórico de Marx continua fundamental para percebermos os sistemas sociais em que vivemos e sobretudo o capitalismo tal como ele hoje se manifesta.
Afinal ainda nos dias de hoje constatamos que as classes sociais são como as bruxas "não sei se elas existem mas que as há...há".
Afinal, as desigualdades crescem como nunca nas últimas décadas.
Afinal, a concentração de riqueza do capital atinge valores nunca atingidos na nossa história.
Afinal ,a pauperização da sociedade constatada por Marx traduz-se hoje na pobreza crescente e na "naturalização" da exclusão social.
Afinal o que mudou é que o sistema capitalista numa nova busca de legitimação procura novas legitimidades para que os seus efeitos negativos apareçam como a "ordem natural das coisas".
É assim que nasce uma nova concepção de indivíduo ajustável aos interesses do capital.
Hoje temos que ser obviamente "competentes" - sendo a competência definida como a capacidade "individual" que cada um deve ter ou adquirir por conta própria, à revelia do papel da produção social da sua competência. Desresponsabiliza-se os sistemas socias que produzem desigualdades e legitima-se o valor dos mais "competentes" que por norma são os mais previligiados.
Os desempregados deixam de ser "despedidos" e passam a ser "dispensados" - se no despedimento a culpa é por norma atribuída ao empregador, na "dispensa" a culpa é do trabalhador pois não se "actualizou" como seria de esperar, logo não tem valor como valor de troca no mercado do capital.
Os "trabalhadores" passaram a ser "colaboradores" - A visão dicotómica do conflito de interesses entre capital e trabalho passou para uma visão harmónica do trabalho e do funcionamento das empresas. Ser "colaborador" implica que os interesses são "comuns" e o que é bom para a classe empresarial é óptimo e serve na perfeição o interesse das categorias profissionais intermédias ou da base das organizações. Óptimo sistema ideológico como estratégia de esgotamento dos conflitos e dos interesses conflituais.
O mundo do trabalho e das empresas é o mundo da harmonia social!
Os indíviduos devem ser "flexíveis" - Se o capital é global e circula à escala do planeta à velocidade do som, não vêem os ideologos do sistema como não podem ser os indíviduos flexibilizados e melhor ainda "deslocalizados".
Os indivíduos devem ser também "empreendedores" - Numa época em que o capitalismo entra em crise de legitimidade, em que é possível crescer a economia e simultaneamente crescer o desemprego e o fecho de empresas, é provável que com indivíduos "empreendedores" a culpa dos disfuncionamentos do sistema seja da falta de empreendedorismo, pois o que não pode ser posto em causa é a ideologia neoliberal predadora que substitui políticas de pleno emprego por políticas de pleno interesse do capital.
O capitalismo "naturaliza" também o desemprego como uma "fatalidade" social - O que não falta por aí no nosso sistema mediático são afirmações do género: "São as empresas que criam emprego, isso de criar emprego não é coisa de políticos nem de políticas sociais".
A ignorância neoliberal tem a crença interesseira de que o económico é uma esfera da vida social desligada do político e do social. A divina crença do mercado livre, a funcionar no interesse de todos, adia qualquer tipo de intervenção do Estado pois mais tarde ou mais cedo "os mercados" vão responder...há que esperar... um ano, dois anos, cinco anos, dez anos, trinta anos, cinquenta anos...um dia o interesse pessoal transformar-se-á no interesse geral.
É a profecia de Marx ao contrário!
Mas o sistema capitalista na sua recente modalidade de funcionamento também "corrói o caracter" dos indíviduos. Richard Sennett, sociólogo Norte-Americano, demonstrou na sua obra "A corrosão do carácter" como o novo capitalismo destrói a possibilidade de uma vida pessoal e familiar harmónica, fazendo com que os indivíduos andem uma vida inteira "precarizados", "flexibilizados", à procura de uma carreira que demora em ser estável, pois é a turbulência identitária o que define a personalidade de cada um. O futuro, algures, um dia depois da morte, tratá alguma estabilidade e segurança ontológica.
Boa semana para o pessoal da blogosfera.
João Martins
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
sábado, agosto 26, 2006
A culpa é da chuva
Já vamos estando habituados a este tipo de incompetências e irresponsabilidades por parte de alguns dos políticos da nossa praça.
Como já aqui fiz referência a ausência de sensibilidade ambiental da maior parte dos nossos autarcas tem resultado numa catástrofe ambiental para o ordenamento do território na região do Algarve.
Numa época em que siglas como PROTAL,PDM,REN,RAN e outras que tais entraram no vocabulário até do cidadão menos informado, continuamos a recusarmo-nos do ponto de vista político a respeitar as prescrições e as proscrições que tais documentos recomendam e/ou obrigam.
Isso é comprovável pelo continuo abuso de construção em cima das dunas e da água do mar numa boa parte da nossa costa, coisa que me faz uma terrível "confusão" do ponto de vista das decisões e autorizações políticas.
É claro que tal depravação urbana tem que resultar em consequências danosas em termos ambientais.
Desta vez foi em Vale do Lobo. Uma descarga poluente em plena época balnear levou as autoridades ambientais (e muito bem!!!) a retirar a bandeira azul à respectiva praia.
Do lado económico, Van Gelder, o proprietário do empreendimento Vale do Lobo lavou desde logo as suas mãos fazendo como Pôncio Pilatos fez a Jesus Cristo: "Isto é um crime ambiental, temos que apurar responsabilidades e encontrar os responsáveis".
Da autarquia Louletana fez-se como o ministro Sócrates: "A gestão do silêncio é de ouro"..."pelo que nos toca informamos que as ETARS estão a funcionar em pleno".
Os responsáveis pela CCDR ultrapassaram-se a si próprios: "A culpa é da chuva que isto de chover no verão é um ultrage a todos os algarvios".
Para completar o cambalacho, Vale do Lobo, porque acha impensável ficar sem a tão apetitosa bandeira azul encontrou a solução encantatória para o problema: "A malta coloca a bandeira da União Europeia que por acaso também é azul e enganamos os parolos que aqui venham à nossa praia".
Pois é...é o reino da macacada!!!
Mas agora pergunto eu, quem se responsabiliza pelos impactos económicos, ambientais e...de saúde (saúde sim, porque estes não são visíveis nos cálculos económicos e políticos)para as populações que tomam o seu banho em àguas tão agradáveis?
A moda política é passar a mensagem que os defensores do ambiente são os "fundamentalistas" que travam o desenvolvimento económico dito "sustentável" mas parece que os "fundamentalistas" deveriam ser levados em conta em muitas mais situações.
Felizmente os estudos sociológicos indicam que as novas gerações são muito mais inteligentes do ponto de vista ambiental.
Pode ser que por aí o ambiente um dia ganhe o estatuto de cidadania em portugal.
Um abraço ambiental para todos
João Martins
Como já aqui fiz referência a ausência de sensibilidade ambiental da maior parte dos nossos autarcas tem resultado numa catástrofe ambiental para o ordenamento do território na região do Algarve.
Numa época em que siglas como PROTAL,PDM,REN,RAN e outras que tais entraram no vocabulário até do cidadão menos informado, continuamos a recusarmo-nos do ponto de vista político a respeitar as prescrições e as proscrições que tais documentos recomendam e/ou obrigam.
Isso é comprovável pelo continuo abuso de construção em cima das dunas e da água do mar numa boa parte da nossa costa, coisa que me faz uma terrível "confusão" do ponto de vista das decisões e autorizações políticas.
É claro que tal depravação urbana tem que resultar em consequências danosas em termos ambientais.
Desta vez foi em Vale do Lobo. Uma descarga poluente em plena época balnear levou as autoridades ambientais (e muito bem!!!) a retirar a bandeira azul à respectiva praia.
Do lado económico, Van Gelder, o proprietário do empreendimento Vale do Lobo lavou desde logo as suas mãos fazendo como Pôncio Pilatos fez a Jesus Cristo: "Isto é um crime ambiental, temos que apurar responsabilidades e encontrar os responsáveis".
Da autarquia Louletana fez-se como o ministro Sócrates: "A gestão do silêncio é de ouro"..."pelo que nos toca informamos que as ETARS estão a funcionar em pleno".
Os responsáveis pela CCDR ultrapassaram-se a si próprios: "A culpa é da chuva que isto de chover no verão é um ultrage a todos os algarvios".
Para completar o cambalacho, Vale do Lobo, porque acha impensável ficar sem a tão apetitosa bandeira azul encontrou a solução encantatória para o problema: "A malta coloca a bandeira da União Europeia que por acaso também é azul e enganamos os parolos que aqui venham à nossa praia".
Pois é...é o reino da macacada!!!
Mas agora pergunto eu, quem se responsabiliza pelos impactos económicos, ambientais e...de saúde (saúde sim, porque estes não são visíveis nos cálculos económicos e políticos)para as populações que tomam o seu banho em àguas tão agradáveis?
A moda política é passar a mensagem que os defensores do ambiente são os "fundamentalistas" que travam o desenvolvimento económico dito "sustentável" mas parece que os "fundamentalistas" deveriam ser levados em conta em muitas mais situações.
Felizmente os estudos sociológicos indicam que as novas gerações são muito mais inteligentes do ponto de vista ambiental.
Pode ser que por aí o ambiente um dia ganhe o estatuto de cidadania em portugal.
Um abraço ambiental para todos
João Martins
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
sábado, agosto 12, 2006
A era dos danos "colaterais"
O mundo está mais perigoso do que nunca.
A guerra continua a ser uma instituição social total e com os meios tecnológicos e militares hoje disponíveis a capacidade de destruição em massa e inclusivé o risco de se acabar com a espécie humana é uma probabilidade comtemporânea bem real.
Norbert Elias, sociólogo Alemão, que percorreu em vida quase todo o século XX e assistiu aos horrores da segunda guerra mundial já tinha avisado.
Progredimos espantosamente na capacidade tecnológica e no aparente domínio sobre a natureza não humana, mas pouco evoluimos na capacidade de estabelecermos um entendimento entre os seres humanos.
A capacidade de vivermos harmoniosamente como seres humanos sem fazermos a separação entre um "nós" e os "outros" é infinitamente mais limitada do que a capacidade de destruição nuclear.
O 11 de Setembro de 2001 e as políticas seguidas pela administração Bush de combate ao "terrorismo", atacando estados e nações inteiras, onde se deveria combater apenas os grupos terroristas altamente organizados, veio potencializar o ódio ao "ocidente" e o consequente aumento da capacidade de recrutamento humano dos grupos terroristas espalhados por todo o mundo.
De toda a forma não se percebe muito bem se foram as guerras no Medio Oriente que potencializaram os actos terroristas ou se pelo contrário foi o terrorismo que deu origem à escalada da guerra. Provavelmente a relação é de causalidade circular.
Uma coisa é certa, o mundo mudou. Os actuais acontecimentos, entre os quais o mais recente no aeroporto de Heathrow, vão legitimar políticas de privação das liberdades individuais.
Bilhetes de identidade genéticos. Câmaras de video-vigilância nas casas de banho públicas, centros comerciais, auto-estradas, jogos de futebol, teatros, na ópera e outros que tais. Redes de satélite vigilantes dos mais pequenos movimentos individuais.
Sistemas de vigilância que visualizam seres humanos como vieram ao mundo.
Aviões carregados de civis abatidos em pleno ar pelas autoridades oficiais sempre que houver movimentos suspeitos e violação de espaço aéreo provocando danos "colaterais" (o que só legitima mais a causa dos terroristas que podem sempre dizer que foram "eles" que destruiram os aviões com civis voltando as populações contra os Estados)....o caminho está a ser traçado.
Existe uma visão política mais conservadora que só precisa do pretexto que agora está a ser dado. O Estado Totalitário severamente critícado por George Orwell em 1984 na sua visão do Big Bhother veio para ficar.
Ia para Londres esta semana em férias. Felizmente a agência de viagem conseguiu a alteração de destino a meu pedido.
O paradoxo acentuou-se na minha memória.
Segurança pessoal e colectiva ou liberdades individuais inalienáveis?
Não sei, tenho muitas dúvidas. Raramente tenho certezas e engano-me muitas vezes. Mas estarei disposto a abdicar das minhas liberdades tão duramente conquistadas ao longo da história da humanidade? Não valerá a pena sofrer a infima e dramática probabilidade de um dia, algures no globo terrestre sofrer um atentado?
E o terror será melhor combatido com o terrorismo de Estado?
A assunto está na ordem do dia e esta é uma discussão política em que os cidadãos têm que participar.
Bom fim de semana a todos os cibernautas.
João Martins
A guerra continua a ser uma instituição social total e com os meios tecnológicos e militares hoje disponíveis a capacidade de destruição em massa e inclusivé o risco de se acabar com a espécie humana é uma probabilidade comtemporânea bem real.
Norbert Elias, sociólogo Alemão, que percorreu em vida quase todo o século XX e assistiu aos horrores da segunda guerra mundial já tinha avisado.
Progredimos espantosamente na capacidade tecnológica e no aparente domínio sobre a natureza não humana, mas pouco evoluimos na capacidade de estabelecermos um entendimento entre os seres humanos.
A capacidade de vivermos harmoniosamente como seres humanos sem fazermos a separação entre um "nós" e os "outros" é infinitamente mais limitada do que a capacidade de destruição nuclear.
O 11 de Setembro de 2001 e as políticas seguidas pela administração Bush de combate ao "terrorismo", atacando estados e nações inteiras, onde se deveria combater apenas os grupos terroristas altamente organizados, veio potencializar o ódio ao "ocidente" e o consequente aumento da capacidade de recrutamento humano dos grupos terroristas espalhados por todo o mundo.
De toda a forma não se percebe muito bem se foram as guerras no Medio Oriente que potencializaram os actos terroristas ou se pelo contrário foi o terrorismo que deu origem à escalada da guerra. Provavelmente a relação é de causalidade circular.
Uma coisa é certa, o mundo mudou. Os actuais acontecimentos, entre os quais o mais recente no aeroporto de Heathrow, vão legitimar políticas de privação das liberdades individuais.
Bilhetes de identidade genéticos. Câmaras de video-vigilância nas casas de banho públicas, centros comerciais, auto-estradas, jogos de futebol, teatros, na ópera e outros que tais. Redes de satélite vigilantes dos mais pequenos movimentos individuais.
Sistemas de vigilância que visualizam seres humanos como vieram ao mundo.
Aviões carregados de civis abatidos em pleno ar pelas autoridades oficiais sempre que houver movimentos suspeitos e violação de espaço aéreo provocando danos "colaterais" (o que só legitima mais a causa dos terroristas que podem sempre dizer que foram "eles" que destruiram os aviões com civis voltando as populações contra os Estados)....o caminho está a ser traçado.
Existe uma visão política mais conservadora que só precisa do pretexto que agora está a ser dado. O Estado Totalitário severamente critícado por George Orwell em 1984 na sua visão do Big Bhother veio para ficar.
Ia para Londres esta semana em férias. Felizmente a agência de viagem conseguiu a alteração de destino a meu pedido.
O paradoxo acentuou-se na minha memória.
Segurança pessoal e colectiva ou liberdades individuais inalienáveis?
Não sei, tenho muitas dúvidas. Raramente tenho certezas e engano-me muitas vezes. Mas estarei disposto a abdicar das minhas liberdades tão duramente conquistadas ao longo da história da humanidade? Não valerá a pena sofrer a infima e dramática probabilidade de um dia, algures no globo terrestre sofrer um atentado?
E o terror será melhor combatido com o terrorismo de Estado?
A assunto está na ordem do dia e esta é uma discussão política em que os cidadãos têm que participar.
Bom fim de semana a todos os cibernautas.
João Martins
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
terça-feira, agosto 01, 2006
Sinais preocupantes da democracia portuguesa
Os regimes democráticos não sendo isentos de imperfeições caracterizam-se por um tipo de dominação racional-legal como nos ensinou o grande sociólogo Max Weber.
Quer isto dizer que o que legitima a dominação dos dominantes sobre os dominados é a crença na legalidade e nos regulamentos instítuidos pela lei do Estado de Direito.
A separação do cargo do homem que o ocupa é assim uma das traves mestras da legitimidade dos regimes democráticos.
Infelizmente assim não o entendem alguns dos nossos mais conceituados autarcas que têm vindo a público recentemente com afirmações discursivas e práticas sociais muito preocupantes do ponto de vista da vida democrática, demonstrando alguns comportamentos mais conformes com as práticas políticas dos regimes autoritários.
Senão vejamos, Rui Rio "proíbe" a crítica social e política às entidades que sejam apoiadas financeiramente pela autarquia do Porto. Promove desta forma um rebanho de cordeirinhos obedientes pois se dizem o que pensam o "subsídio" da autarquia com toda a certeza que será retirado.
Alberto João Jardim quer um jardim exclusivamente para heterossexuais. Para este "dinossauro" da política portuguesa Sócrates anda a enganar os portugueses pois faz de conta que quer resolver os problemas económico-financeiros do país, mas o que ele quer mesmo fazer, qual visão conspirativa, é legalizar o casamento dos homossexuais sem que os portugueses se apercebam, quase como o fez com a substituição do Ministro dos Negócios Estrangeiros, contribuindo assim segundo o omnipotente Jardim para a "degradação moral da vida portuguesa".
Fernando Ruas quer "expulsar os fiscais do ambiente à paulada" "valorizando" desta forma as preocupações ambientais dos portugueses e aderindo ainda ao "apanhem-no vivo ou morto" tão do agrado de George W. Bush.
Pois é, é a democracia que vamos tendo. Se isto continua assim começa a ser preocupante e de certa forma um retrocesso em relação às conquistas de Abril de que tanto estes senhores acima referidos apregoam ter contribuido.
Boa semana e lembrem-se que a democracia não é um estado adquirido de uma vez por todas mas sim um processo em constante transformação.
João Martins
Quer isto dizer que o que legitima a dominação dos dominantes sobre os dominados é a crença na legalidade e nos regulamentos instítuidos pela lei do Estado de Direito.
A separação do cargo do homem que o ocupa é assim uma das traves mestras da legitimidade dos regimes democráticos.
Infelizmente assim não o entendem alguns dos nossos mais conceituados autarcas que têm vindo a público recentemente com afirmações discursivas e práticas sociais muito preocupantes do ponto de vista da vida democrática, demonstrando alguns comportamentos mais conformes com as práticas políticas dos regimes autoritários.
Senão vejamos, Rui Rio "proíbe" a crítica social e política às entidades que sejam apoiadas financeiramente pela autarquia do Porto. Promove desta forma um rebanho de cordeirinhos obedientes pois se dizem o que pensam o "subsídio" da autarquia com toda a certeza que será retirado.
Alberto João Jardim quer um jardim exclusivamente para heterossexuais. Para este "dinossauro" da política portuguesa Sócrates anda a enganar os portugueses pois faz de conta que quer resolver os problemas económico-financeiros do país, mas o que ele quer mesmo fazer, qual visão conspirativa, é legalizar o casamento dos homossexuais sem que os portugueses se apercebam, quase como o fez com a substituição do Ministro dos Negócios Estrangeiros, contribuindo assim segundo o omnipotente Jardim para a "degradação moral da vida portuguesa".
Fernando Ruas quer "expulsar os fiscais do ambiente à paulada" "valorizando" desta forma as preocupações ambientais dos portugueses e aderindo ainda ao "apanhem-no vivo ou morto" tão do agrado de George W. Bush.
Pois é, é a democracia que vamos tendo. Se isto continua assim começa a ser preocupante e de certa forma um retrocesso em relação às conquistas de Abril de que tanto estes senhores acima referidos apregoam ter contribuido.
Boa semana e lembrem-se que a democracia não é um estado adquirido de uma vez por todas mas sim um processo em constante transformação.
João Martins
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
domingo, julho 23, 2006
O Ethos ambiental dos nossos autarcas
Fernando Ruas, presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses mostrou em todo o seu esplendor o pensamento comum à maior parte dos autarcas portugueses sobre as questões ambientais.
Diz-nos este senhor para não hesitarmos e "corrermos com os fiscais do ambiente à pedrada".
É lamentável que este senhor represente os autarcas portugueses e ainda mais lamentável que esta seja a visão do mundo que predomina na cabeça da maior parte dos nossos autarcas.
Não tomando a nuvem por Juno nem a àrvore pela floresta, o desordenamento do território em todo o país é tal que deixa envergonhado qualquer cidadão de um país que se queira civilizado.
Numa altura em que o PROTAL está em cima da mesa das negociações, aquilo de que mais se queixam os nossos autarcas é dessa "moda do ambiente" como entrave ao desenvolvimento económico, sendo que na óptica da maioria desses senhores desenvolvimento é igual a crescimento económico.
Basta dar um passeio pelo litoral e vemos que é possível em Quarteira construir prédios de dez andares dentro da areia (caso da última construção antes de chegar ao Forte Novo).
É possível ver vivendas a caírem para dentro de àgua na praia de Vale do Lobo (num claro atentado ambiental à erosão costeira).
É possível ainda nas Dunas Douradas construir vinte apartamentos a cinco metros das dunas de areia (coisa só possível com "compadrios" na aprovação das licenças de construção).
Entre projectos estruturantes e de interesse "vital" para a "Região" e a construção de Marinas ao longo da costa algarvia o caminho que se está a seguir não é claramente o do ordenamento da Orla Costeira, mas sim o de continuar a "betanização" do que falta cimentar em cima das àguas algarvias.
Pelo menos houve o decoro dos custos económicos do desinvestimento ambiental em Vale de Lobo terem desta vez sido suportados pelos próprios privados que exploram essa costa, pois da última intervenção tinham sido em parte os dinheiros públicos a custear os interesses privados que lucram com o negócio.
Hoje, dia 23/07/2006 fui expulso por um segurança da empresa Prosecom das Dunas Douradas quando tentava estacionar o carro para ir à praia.
Os senhores estão a construir 10 apartamentos em "cima" da àgua do mar e já se sentem donos da antiga praia "As Três Marias".
É mais um caso grave de apropriação privada do espaço público e a tentativa de apropriação da praia para "ricos" clientes expulsando o "povo" da dita cuja.
Grave do ponto de vista da democracia. Não acha, senhor Presidente da Câmara Municipal de Loulé?
João Martins
Diz-nos este senhor para não hesitarmos e "corrermos com os fiscais do ambiente à pedrada".
É lamentável que este senhor represente os autarcas portugueses e ainda mais lamentável que esta seja a visão do mundo que predomina na cabeça da maior parte dos nossos autarcas.
Não tomando a nuvem por Juno nem a àrvore pela floresta, o desordenamento do território em todo o país é tal que deixa envergonhado qualquer cidadão de um país que se queira civilizado.
Numa altura em que o PROTAL está em cima da mesa das negociações, aquilo de que mais se queixam os nossos autarcas é dessa "moda do ambiente" como entrave ao desenvolvimento económico, sendo que na óptica da maioria desses senhores desenvolvimento é igual a crescimento económico.
Basta dar um passeio pelo litoral e vemos que é possível em Quarteira construir prédios de dez andares dentro da areia (caso da última construção antes de chegar ao Forte Novo).
É possível ver vivendas a caírem para dentro de àgua na praia de Vale do Lobo (num claro atentado ambiental à erosão costeira).
É possível ainda nas Dunas Douradas construir vinte apartamentos a cinco metros das dunas de areia (coisa só possível com "compadrios" na aprovação das licenças de construção).
Entre projectos estruturantes e de interesse "vital" para a "Região" e a construção de Marinas ao longo da costa algarvia o caminho que se está a seguir não é claramente o do ordenamento da Orla Costeira, mas sim o de continuar a "betanização" do que falta cimentar em cima das àguas algarvias.
Pelo menos houve o decoro dos custos económicos do desinvestimento ambiental em Vale de Lobo terem desta vez sido suportados pelos próprios privados que exploram essa costa, pois da última intervenção tinham sido em parte os dinheiros públicos a custear os interesses privados que lucram com o negócio.
Hoje, dia 23/07/2006 fui expulso por um segurança da empresa Prosecom das Dunas Douradas quando tentava estacionar o carro para ir à praia.
Os senhores estão a construir 10 apartamentos em "cima" da àgua do mar e já se sentem donos da antiga praia "As Três Marias".
É mais um caso grave de apropriação privada do espaço público e a tentativa de apropriação da praia para "ricos" clientes expulsando o "povo" da dita cuja.
Grave do ponto de vista da democracia. Não acha, senhor Presidente da Câmara Municipal de Loulé?
João Martins
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
sexta-feira, julho 14, 2006
Proposta indecente
Gilberto Madail no seu melhor! Depois da catarse nacional e do bom desempenho da selecção portuguesa, há que reconhecê-lo, eis que aparece o caciquismo futebolistico no seu esplendor.
A proposta feita pelo senhor presidente da federação portuguesa de futebol no sentido de isentar de impostos os "pobres" trabalhadores do mundo da bola ultrapassou todas as expectativas de bom senso ao alcance do cidadão comum.
Num país em que o salário mínimo "nacional" ronda a miserável quantia de 350 euros por mês, o senhor Madail acha por bem que os nossos milionários futebolistas sejam "beneficiados" pelo bom serviço de salvação da pátria lusitana.
Eis uma proposta que diz tudo sobre quem a faz e que diz muito mais sobre como pensam e vêem o mundo os caciques do mundo da bola.
O futebol até há bem pouco tempo sempre foi um Estado Paralelo, qualquer coisa como um Estado dentro do Estado, onde a fuga ao fisco, a lavagem de dinheiro vindo de negócios escuros e os conluíos entre construtores civis, câmaras municipais e dirigentes desportivos adquiriam contornos de "normalidade". É o "sistema" a funcionar pois não pode ser de outra maneira já que todos fazem assim.
Se o meu vizinho compra os árbitros eu também tenho que comprar e este círculo vicioso alimentou-se desta "naturalidade" até à meia duzia de anos. Pena que aqui em Portugal o "apito dourado" não tenha qualquer repercussão social pois a nossa justiça infelizmente é tremendamente injusta.
Provavelmente temendo aquilo que acontece neste momento no futebol Italiano, onde a corrupção futebolistica já não passa impune, o senhor Madail decidiu fazer esta proposta legal e imoral simultaneamente.
Eu faço uma proposta decente. Por favor não tomem o dito "povo" por idiota, despeçam já esse senhor.
Quem assim pensa não pode continuar a desempenhar o lugar que ocupa.
Em nome dos impostos dos portugueses, de forma a que não precisem tanto de "apertar o cinto" para que afinal de contas o Estado Social vá passando a ser apenas uma parcela dos livros de História de Portugal.
Abraços e beijinhos
João Martins
A proposta feita pelo senhor presidente da federação portuguesa de futebol no sentido de isentar de impostos os "pobres" trabalhadores do mundo da bola ultrapassou todas as expectativas de bom senso ao alcance do cidadão comum.
Num país em que o salário mínimo "nacional" ronda a miserável quantia de 350 euros por mês, o senhor Madail acha por bem que os nossos milionários futebolistas sejam "beneficiados" pelo bom serviço de salvação da pátria lusitana.
Eis uma proposta que diz tudo sobre quem a faz e que diz muito mais sobre como pensam e vêem o mundo os caciques do mundo da bola.
O futebol até há bem pouco tempo sempre foi um Estado Paralelo, qualquer coisa como um Estado dentro do Estado, onde a fuga ao fisco, a lavagem de dinheiro vindo de negócios escuros e os conluíos entre construtores civis, câmaras municipais e dirigentes desportivos adquiriam contornos de "normalidade". É o "sistema" a funcionar pois não pode ser de outra maneira já que todos fazem assim.
Se o meu vizinho compra os árbitros eu também tenho que comprar e este círculo vicioso alimentou-se desta "naturalidade" até à meia duzia de anos. Pena que aqui em Portugal o "apito dourado" não tenha qualquer repercussão social pois a nossa justiça infelizmente é tremendamente injusta.
Provavelmente temendo aquilo que acontece neste momento no futebol Italiano, onde a corrupção futebolistica já não passa impune, o senhor Madail decidiu fazer esta proposta legal e imoral simultaneamente.
Eu faço uma proposta decente. Por favor não tomem o dito "povo" por idiota, despeçam já esse senhor.
Quem assim pensa não pode continuar a desempenhar o lugar que ocupa.
Em nome dos impostos dos portugueses, de forma a que não precisem tanto de "apertar o cinto" para que afinal de contas o Estado Social vá passando a ser apenas uma parcela dos livros de História de Portugal.
Abraços e beijinhos
João Martins
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
terça-feira, julho 04, 2006
Lésbicas pois. Onde está o problema?
O canal dois da RTP está a fazer história com a transmissão da série "Lésbicas".
História, porque esta é uma categoria social estigmatizada e marginalizada ao longo dos tempos na sociedade portuguesa.
História porque está a tornar visível aquilo que é oculto no dia a dia de muitos cidadãos que vivem entre nós e a quem são escamoteados os seus direitos.
A homossexualidade é entendida na maioria das sociedades contemporãneas como "contra-natura", rejeitada e condenada pela igreja católica como um pecado divino e os homossexuais têm direito à sua existência social desde que se mantenham na sua invisibilidade.
Uma sondagem publicada pelo jornal Expresso há alguns meses atrás revelava que existem em Portugal perto de um milhão de homossexuais, o que quer dizer que existe a probabilidade de 1 em cada dez pessoas que conhecemos pertencerem a esta categoria sexual.
A sexualidade de cada um só ao mesmo diz respeito e o heterossexualismo saloio que vê a norma heterossexual como a única legitima não raras vezes resvala para a homofobia social. Que o digam os miúdos que no nosso país se "divertiam" a espancar um transsexual, terminando a "brincadeira" por lhe acabar com a vida.
Mais uma vez os nossos vizinhos Espanhóis já levam vantagem naquilo que são a defesa dos direitos das minorias sexuais e avançaram este ano com a legalização do casamento entre homossexuais.
Parabéns à RTP pelo contributo que ajuda a desmistificar este lado oculto da vida social e que condena tanta gente ao isolamento e à descriminação.
Para quando a legalização do casamento dos homossexuais em Portugal e o reconhecimento dos mesmos a uma via socialmente condigna?
Abraços
João Martins
História, porque esta é uma categoria social estigmatizada e marginalizada ao longo dos tempos na sociedade portuguesa.
História porque está a tornar visível aquilo que é oculto no dia a dia de muitos cidadãos que vivem entre nós e a quem são escamoteados os seus direitos.
A homossexualidade é entendida na maioria das sociedades contemporãneas como "contra-natura", rejeitada e condenada pela igreja católica como um pecado divino e os homossexuais têm direito à sua existência social desde que se mantenham na sua invisibilidade.
Uma sondagem publicada pelo jornal Expresso há alguns meses atrás revelava que existem em Portugal perto de um milhão de homossexuais, o que quer dizer que existe a probabilidade de 1 em cada dez pessoas que conhecemos pertencerem a esta categoria sexual.
A sexualidade de cada um só ao mesmo diz respeito e o heterossexualismo saloio que vê a norma heterossexual como a única legitima não raras vezes resvala para a homofobia social. Que o digam os miúdos que no nosso país se "divertiam" a espancar um transsexual, terminando a "brincadeira" por lhe acabar com a vida.
Mais uma vez os nossos vizinhos Espanhóis já levam vantagem naquilo que são a defesa dos direitos das minorias sexuais e avançaram este ano com a legalização do casamento entre homossexuais.
Parabéns à RTP pelo contributo que ajuda a desmistificar este lado oculto da vida social e que condena tanta gente ao isolamento e à descriminação.
Para quando a legalização do casamento dos homossexuais em Portugal e o reconhecimento dos mesmos a uma via socialmente condigna?
Abraços
João Martins
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
quinta-feira, junho 22, 2006
O mundial dentro de casa
Pois é, a globalização tem destas coisas. Não vou à Alemanha ver o mundial, mas não tem problema, já que o mundial vem até mim.
Abençoada globalização.
Infelizmente porque não sou doente da bola e preciso de dinheiro para gastar em coisas mais úteis, tenho TV Cabo, mas não tenho Sport TV. Já agora aproveito e digo, não tenho, nem quero ter.
Mas este fenómeno social da monopolização privada do acesso à visualização dos jogos de futebol gerou um fenómeno interessante e simultaneamente discriminatório.
É que estamos a assitir a uma mudança na composição social dos espectadores dos espectáculos de futebol.
Este que sempre foi "o" desporto por excelência das classes populares está a sofrer uma recomposição classista. O seu público está-se a emburguesar.
Desde logo pelo preço dos bilhetes para assistir aos jogos de alto nível, só acessíveis aos bolsos de alguns e depois porque o acesso às transmissões televisivas está a ficar também só ao alcance de uns quantos.
Felizmente o pessoal da hotelaria recusou os planos do monopólio do capital e o bom povo pode sempre ir até ao café do bairro ver o que se vai passando na Alemanha.
Mas falemos dos principais protagonistas do espectáculo, as equipas e os seus jogadores.
A terminar a primeira fase, posso-vos dizer que gostei do bom futebol praticado pela Argentina, a Holanda e a Espanha.
Parece-me que vamos ter que contar com a Alemanha que joga em casa e está a jogar benzinho e também com a Inglaterra (meio campo fortíssimo)como potenciais candidatos.
O Brasil está a meio gás e vai ganhando sem grandes problemas. Não têm deixado jogar o "quadrado mágico".
O problema (para os seus adversários claro) é que quando estes tiverem que jogar o jogo pelo jogo, ai o Brasil vai sambar.
Portugal, não estando num grupo forte, cumpriu a sua missão. Em mundiais não há jogos fáceis e três vitórias em três jogos é um feito digno de registar.
Agora vem aí o "mata mata" como diz o mister Scolari e a partir daqui tudo é possível. Como alguém do mundo da bola disse um dia "deixem-nos sonhar".
Parabéns ao Equador e ao Gana que fugiram ao socialmente esperado e já ganharam o seu mundial.
Dos craques destaco Saviola, Riquelme, Messi e Crespo da Argentina. Fernando Torres de Espanha, Figo de Portugal (já sem velocidade mas com uma inteligência superior, o que é suficiente para o seu futebol continuar a encantar). Tivesse o Cristiano Ronaldo metade da inteligência de Figo... mas infelizmente o que lhe sobra noutras qualidades falta-lhe na capacidade de pensar o jogo.
Da Inglaterra há os que nunca jogam mal porque não sabem fazê-lo, são eles Lampard, Gerrard e Joe Cole.
Do Brasil claro, Ronaldinho Gaúcho e Kaka que quando lhes darem espaço vão desgraçar as defesas adversárias.
Balanço positivo desta primeira fase com muitos jogos agradáveis de se ver e com a tónica positiva de os árbitros até agora não se fazerem notar.
Suspeito que nesta fase do "mata-mata" a qualidade dos jogos vai piorar pois com equipas muitos equilibradas os sistemas tácticos fechados e defensivos vão imperar.
Abraços a todo o pessoal e boa sorte mister Scolari.
João Martins
Abençoada globalização.
Infelizmente porque não sou doente da bola e preciso de dinheiro para gastar em coisas mais úteis, tenho TV Cabo, mas não tenho Sport TV. Já agora aproveito e digo, não tenho, nem quero ter.
Mas este fenómeno social da monopolização privada do acesso à visualização dos jogos de futebol gerou um fenómeno interessante e simultaneamente discriminatório.
É que estamos a assitir a uma mudança na composição social dos espectadores dos espectáculos de futebol.
Este que sempre foi "o" desporto por excelência das classes populares está a sofrer uma recomposição classista. O seu público está-se a emburguesar.
Desde logo pelo preço dos bilhetes para assistir aos jogos de alto nível, só acessíveis aos bolsos de alguns e depois porque o acesso às transmissões televisivas está a ficar também só ao alcance de uns quantos.
Felizmente o pessoal da hotelaria recusou os planos do monopólio do capital e o bom povo pode sempre ir até ao café do bairro ver o que se vai passando na Alemanha.
Mas falemos dos principais protagonistas do espectáculo, as equipas e os seus jogadores.
A terminar a primeira fase, posso-vos dizer que gostei do bom futebol praticado pela Argentina, a Holanda e a Espanha.
Parece-me que vamos ter que contar com a Alemanha que joga em casa e está a jogar benzinho e também com a Inglaterra (meio campo fortíssimo)como potenciais candidatos.
O Brasil está a meio gás e vai ganhando sem grandes problemas. Não têm deixado jogar o "quadrado mágico".
O problema (para os seus adversários claro) é que quando estes tiverem que jogar o jogo pelo jogo, ai o Brasil vai sambar.
Portugal, não estando num grupo forte, cumpriu a sua missão. Em mundiais não há jogos fáceis e três vitórias em três jogos é um feito digno de registar.
Agora vem aí o "mata mata" como diz o mister Scolari e a partir daqui tudo é possível. Como alguém do mundo da bola disse um dia "deixem-nos sonhar".
Parabéns ao Equador e ao Gana que fugiram ao socialmente esperado e já ganharam o seu mundial.
Dos craques destaco Saviola, Riquelme, Messi e Crespo da Argentina. Fernando Torres de Espanha, Figo de Portugal (já sem velocidade mas com uma inteligência superior, o que é suficiente para o seu futebol continuar a encantar). Tivesse o Cristiano Ronaldo metade da inteligência de Figo... mas infelizmente o que lhe sobra noutras qualidades falta-lhe na capacidade de pensar o jogo.
Da Inglaterra há os que nunca jogam mal porque não sabem fazê-lo, são eles Lampard, Gerrard e Joe Cole.
Do Brasil claro, Ronaldinho Gaúcho e Kaka que quando lhes darem espaço vão desgraçar as defesas adversárias.
Balanço positivo desta primeira fase com muitos jogos agradáveis de se ver e com a tónica positiva de os árbitros até agora não se fazerem notar.
Suspeito que nesta fase do "mata-mata" a qualidade dos jogos vai piorar pois com equipas muitos equilibradas os sistemas tácticos fechados e defensivos vão imperar.
Abraços a todo o pessoal e boa sorte mister Scolari.
João Martins
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
domingo, junho 11, 2006
Futebol, media e nacionalismo bacoco
Já lá vai o tempo da célebre trilogia Fado, Futebol e Fátima. A Época Salazarista utilizou o futebol como instrumento de reprodução da ideologia dominante e como instrumento de legitimação do estado.
Slogans como "Nada contra a nação, tudo pela nação" ou "Portugal indiviso de Minho a Timor" serviam para a legitimação da dominação colonial e para provocar a ilusão de unanimidade onde existia a divisão e a conflitualidade.
A inculcação do nacionalismo pelo Estado servia de instrumento de legitimação do próprio Estado assegurando a dominação da elite dirigente do Estado Novo.
Hoje, já não temos Eusébio, mas temos os media que provocam a catarse nacionalista fomentando a histerese colectiva de um povo perdido de causas.
Em época de globalização, em que os Estados Nação perdem a sua soberania, em que ser cidadão do mundo pareceria ser uma evidência, temos aí a criação de uma identidade defensiva (o nacionalismo bacoco), que resiste à invasão do global tido como ameaçador e gerador de incertezas quanto ao nosso lugar do mundo.
Com a multiplicidade de referências identitárias com que somos bombardeados a partir da aldeia global, os individuos entram em crise de identidade.
A nacionalidade é um elemento identitário facil de agarrar e o futebol e os media têm todos os ingredientes para a alimentar.
O pior, é que se os nossos "heróis" contemporâneos não corresponderem às nossas expectativas, passamos rapidamente de um sentimento de orgulho na nação a uma nação depressiva.
Pois eu lamento, mas não tenho bandeira à janela, nem tenciono colocá-la.
Sou Louletano, Algarvio, Português, Europeu e sobretudo "Não sou Grego nem Ateniense, Sou um Cidadão do Mundo".
Cuidado com os nacionalismos bacocos em época de globalização...é que se nos fecharmos muito sobre nós próprios acabamos por despertar fenómenos como o racismo e a xenofobia. E estes estão aí mortinhos por despertar.
Boa sorte Portugal, que ganhe o melhor e que esse seja aquele que praticar melhor futebol.
Abraços
João Martins
Slogans como "Nada contra a nação, tudo pela nação" ou "Portugal indiviso de Minho a Timor" serviam para a legitimação da dominação colonial e para provocar a ilusão de unanimidade onde existia a divisão e a conflitualidade.
A inculcação do nacionalismo pelo Estado servia de instrumento de legitimação do próprio Estado assegurando a dominação da elite dirigente do Estado Novo.
Hoje, já não temos Eusébio, mas temos os media que provocam a catarse nacionalista fomentando a histerese colectiva de um povo perdido de causas.
Em época de globalização, em que os Estados Nação perdem a sua soberania, em que ser cidadão do mundo pareceria ser uma evidência, temos aí a criação de uma identidade defensiva (o nacionalismo bacoco), que resiste à invasão do global tido como ameaçador e gerador de incertezas quanto ao nosso lugar do mundo.
Com a multiplicidade de referências identitárias com que somos bombardeados a partir da aldeia global, os individuos entram em crise de identidade.
A nacionalidade é um elemento identitário facil de agarrar e o futebol e os media têm todos os ingredientes para a alimentar.
O pior, é que se os nossos "heróis" contemporâneos não corresponderem às nossas expectativas, passamos rapidamente de um sentimento de orgulho na nação a uma nação depressiva.
Pois eu lamento, mas não tenho bandeira à janela, nem tenciono colocá-la.
Sou Louletano, Algarvio, Português, Europeu e sobretudo "Não sou Grego nem Ateniense, Sou um Cidadão do Mundo".
Cuidado com os nacionalismos bacocos em época de globalização...é que se nos fecharmos muito sobre nós próprios acabamos por despertar fenómenos como o racismo e a xenofobia. E estes estão aí mortinhos por despertar.
Boa sorte Portugal, que ganhe o melhor e que esse seja aquele que praticar melhor futebol.
Abraços
João Martins
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
domingo, junho 04, 2006
A Educação de Sócrates
Fantástica a afirmação de Socrates sobre o estado da educação nacional.
Diz-nos este brilhante cientista da educação que a educação nacional daquilo que precisa é de "menos ideologia" e de "mais resultados".
Para espanto meu, é possível um primeiro ministro em Portugal dizer uma barbaridade destas sem qualquer ponta de perplexidade e o mínimo questionamento por parte dos experts dominantes no status quo do espaço jornalistico nacional.
Vale a pena desmontar estas evidências de senso comum político e questionar afinal se poderá a educação não ser ideológica.
A questão de fundo será então:
- Pode a educação ser não ideológica?
E a resposta clara só pode ser, obviamente que Não.
A educação por natureza é ideológica pois é inevitavelmente um campo de lutas sociais e políticas. Educar é por definição ajudar a escolher futuros possíveis na vida dos indivíduos e não pode ser nunca apenas percorrer um caminho já traçado pelo 1º ministro do país e que se resume este a educar para a competitividade, numa lógica acrítica de submissão ao mercado capitalista neoliberal.
Deve a educação ser laica ou religiosa? A decisão é política e ideológica.
Deve a educação estar centrada nas artes ou nas ciências? A decisão é política e ideológica.
Homens e mulheres devem estudar juntos nas mesmas escolas e universidades? A decisão é política e ideológica.
O curriculo deve ser uniforme e estandardizado para os alunos de todo o território nacional ou deve ser adequado às especificidades dos locais e dos alunos? A decisão é política e ideológica.
A educação deve ser teórica e abstrata ou deve ser prática e concreta? A decisão é política e ideológica.
Os pais devem avaliar os docentes e as escolas ou afinal não devem porque se acha que não têm competência para tal? A decisão é política e ideológica.
O retrato de Salazar, Cavaco e Sócrates devem estar afixados por cima do quadro negro no interior das salas de aula ou não deve porque a vida partidária não deve estar presente na sala de aula? A decisão é política e ideológica.
O manual escolar deve ser único e o mesmo para todos os alunos ou pelo contrário deve ser diversificado permitindo aos actores escolares a escolha dos mesmos? A decisão é política e ideológica.
A gestão das escolas deve ser privada e feita por gestores ou pelo contrário pública e feita por professores? A decisão é política e ideológica.
A escola deve ser para todos e democrática ou só para alguns e elitista? A decisão é política e ideológica.
As famílias podem escolher as escolas e pagarem a sua qualidade ou não podem escolher e devem matricular os filhos nas escolas dos territórios ditos "problemáticos"? A decisão é política e ideológica.
O véu dito islâmico pode entrar nas escolas laicas ou pelo contrário deve ficar à sua porta e ser objecto de exclusão do espaço escolar? A decisão é política e ideológica.
As artes e o desporto deveriam ter mais horas no curriculo escolar e serem de aproveitamento obrigatório para se transitar de ano ou devem ocupar uma posição de saberes subalternos no espaço escolar e não contarem para transitar de ano? A decisão é política e ideológica.
Pois é senhor Sócrates "menos ideologia" e mais "resultados" porque afinal as escolhas fundamentais o senhor já as fez, quanto ao resto o senhor ensina-nos como lá chegar.
Olhe deixo-lhe uma passagem de Émile Durkheim, brilhante sociólogo da educação de finais do século XIX para que possa meditar no assunto:
“Quando estudamos historicamente a forma pela qual se formaram e desenvolveram os sistemas educacionais, apercebemo-nos de que os mesmos dependem da religião, da organização politica, do grau de desenvolvimento das ciências, do estado da indústria, etc. Se os desligarmos de todas estas causas históricas, eles tornam-se incompreensíveis” (Émile Durkheim in Educação e Sociologia,1922).
Abraços e beijinhos para o pessoal da blogoesfera.
João Martins
Diz-nos este brilhante cientista da educação que a educação nacional daquilo que precisa é de "menos ideologia" e de "mais resultados".
Para espanto meu, é possível um primeiro ministro em Portugal dizer uma barbaridade destas sem qualquer ponta de perplexidade e o mínimo questionamento por parte dos experts dominantes no status quo do espaço jornalistico nacional.
Vale a pena desmontar estas evidências de senso comum político e questionar afinal se poderá a educação não ser ideológica.
A questão de fundo será então:
- Pode a educação ser não ideológica?
E a resposta clara só pode ser, obviamente que Não.
A educação por natureza é ideológica pois é inevitavelmente um campo de lutas sociais e políticas. Educar é por definição ajudar a escolher futuros possíveis na vida dos indivíduos e não pode ser nunca apenas percorrer um caminho já traçado pelo 1º ministro do país e que se resume este a educar para a competitividade, numa lógica acrítica de submissão ao mercado capitalista neoliberal.
Deve a educação ser laica ou religiosa? A decisão é política e ideológica.
Deve a educação estar centrada nas artes ou nas ciências? A decisão é política e ideológica.
Homens e mulheres devem estudar juntos nas mesmas escolas e universidades? A decisão é política e ideológica.
O curriculo deve ser uniforme e estandardizado para os alunos de todo o território nacional ou deve ser adequado às especificidades dos locais e dos alunos? A decisão é política e ideológica.
A educação deve ser teórica e abstrata ou deve ser prática e concreta? A decisão é política e ideológica.
Os pais devem avaliar os docentes e as escolas ou afinal não devem porque se acha que não têm competência para tal? A decisão é política e ideológica.
O retrato de Salazar, Cavaco e Sócrates devem estar afixados por cima do quadro negro no interior das salas de aula ou não deve porque a vida partidária não deve estar presente na sala de aula? A decisão é política e ideológica.
O manual escolar deve ser único e o mesmo para todos os alunos ou pelo contrário deve ser diversificado permitindo aos actores escolares a escolha dos mesmos? A decisão é política e ideológica.
A gestão das escolas deve ser privada e feita por gestores ou pelo contrário pública e feita por professores? A decisão é política e ideológica.
A escola deve ser para todos e democrática ou só para alguns e elitista? A decisão é política e ideológica.
As famílias podem escolher as escolas e pagarem a sua qualidade ou não podem escolher e devem matricular os filhos nas escolas dos territórios ditos "problemáticos"? A decisão é política e ideológica.
O véu dito islâmico pode entrar nas escolas laicas ou pelo contrário deve ficar à sua porta e ser objecto de exclusão do espaço escolar? A decisão é política e ideológica.
As artes e o desporto deveriam ter mais horas no curriculo escolar e serem de aproveitamento obrigatório para se transitar de ano ou devem ocupar uma posição de saberes subalternos no espaço escolar e não contarem para transitar de ano? A decisão é política e ideológica.
Pois é senhor Sócrates "menos ideologia" e mais "resultados" porque afinal as escolhas fundamentais o senhor já as fez, quanto ao resto o senhor ensina-nos como lá chegar.
Olhe deixo-lhe uma passagem de Émile Durkheim, brilhante sociólogo da educação de finais do século XIX para que possa meditar no assunto:
“Quando estudamos historicamente a forma pela qual se formaram e desenvolveram os sistemas educacionais, apercebemo-nos de que os mesmos dependem da religião, da organização politica, do grau de desenvolvimento das ciências, do estado da indústria, etc. Se os desligarmos de todas estas causas históricas, eles tornam-se incompreensíveis” (Émile Durkheim in Educação e Sociologia,1922).
Abraços e beijinhos para o pessoal da blogoesfera.
João Martins
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
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